18/08/2009

Saudosas Bolachas (06/1972)

A INFLUÊNCIA DO JAZZ

Em 1972 a musica instrumental brasileira tem em dois albuns uma execelente percepção dos caminhos que seriam trilhados a partir de então; e, além disso, tanto Sergio Mendes e Eumir Deodato produzem neste ano discos memoráveis e de alta qualidade.


SERGIO MENDES
RAĺZES /PRIMAL ROOTS (1972)
Sérgio Mendes (Niterói, RJ, 1941) músico e compositor que surgiu no cenário musical brasileiro com sua banda Sexteto Bossa Rio em 1961 durante o ápice da Bossa Nova no Brasil e conseguiu introduzir um conceito musical diferenciado naquele momento partindo desde a formação do grupo que tinha sempre forte apoio vocal de dois ou mais vocalistas e passando de um quarteto a um quinteto de instrumentistas, liderado por seu teclado caracterizado pela rapidez e precisão tonal.
Sua versão de “Mas Que Nada” de Jorge Ben Jor o colocou no planeta e levou a musica ao patamar de umas mais executadas. Excursionou com nova banda, Sergio Mendes & Brasil 66, pelos Estados Unidos; gravou com Cannombal Adderley e Herbie Mann e mudou-se em defenitivo para lá em 64.
Em 1972 Sergio Mendes já havia gravado dezenove discos e mantinha sua carreira nos Estados Unidos. Sua banda agora era Brasil 77, seu repertório totalmente voltado as canções brasileiras (sambas e bossas) diferentemente de muitos brasileiros que transferidos para os Estados Unidos procuravam assimilar-se ao Jazz e ao Funk local.Sergio Mendes bebeu bastante do Jazz mas manteve a plataforma de sua musica no Brasil e por causa disto acabou se tornando um tipo de estandarte americano de nossa musica por aqui, principalmente nos anos 60 e 70.
Mas voltando ao ano de 72. Neste ano, Sergio Mendes fez um disco muito diferenciado de seus anteriores. Decidiu gravar no Brasil e optou por um arranjo mais simples, dispensando metais e baterias, e usando pandeiro, berimbau, atabaques e agôgos.
Um disco importante e significativo no que Sergio Mendes realizou buscando a fonte da musica afro-brasileira para um disco que ganhou tanta exposição internacional.
“Raizes /Primal Roots” traz apenas seis canções e todas inspirandas em pontos de Umbanda e Candomblés, religiões primais da cultura afrobrasileira.
O disco teve Claudio Slon, Rubens Bassini e Laudir Oliveira (percurssão), Oscar Castro Neves (guitarra), Tião Neto (baixo), Geri Stevens e Gracinha Leporace (vocais) e Sergio Mendes (piano e arranjos)
“Jogo de Roda” tem dezoito minutos de duração e é uma viagem sonora, como o disco todo, as praias de rodas e capeiras do Brasil.
Outra belo disco digno de nota e de apreço, lançado no espaço em 1972.

PROMESSA DE PESCADOR (Dorival Caymmi)


AMANHECER (Tião Neto/Oscar Castro Neves)


CANTO DO URIBATAN (canto tradicional adpatado por Sergio Mendes)


IEMANJA (Baden Powell/Vinicius de Moraes)


POMBA GIRA (canto tradicional adpatado por Sergio Mendes)




EUMIR DEODATO
PERCEPÇÃO (1972)
Eumir Deodato( Rio de Janeiro, 1942) musico, compositor, produtor musical e arranjador. Aos 12 anos de idade Eumir já tocava acordião e em seguida durante a adolescência aprendeu piano, teoria musical e regência. Aos 17 anos ele fez sua primeira apresentação regendo uma orquestra de 28 instrumentos. Mas logo a Bossa Nova e o Samba Jazz o levaram ao circuito musical da noite carioca onde ele fez arranjos importantes para diversos trios, bandas e musicos.
Em 64 ele lança o seu primeiro album “Inutil Paisagem” com musicas de Tom Jobim e que se torna um marco do Brazilian Jazz pela qualidade musical apresentada tanto na execução como nos arranjos.
A formação clássica aliada ao seu aguçado conhecimento do Jazz e da Musica Brasileira, deram a Eumir Deodato uma qualidade imprecendivel e de grande capacidade em executar a musica brasileira com distinção, equilibrio e tom; dando a cor aveludada do jazz e a preciosidade do balanço e molejo brasileiro.
Em 72 Eumir já vivia entre o Brasil e Estados Unidos, porém com discos apenas lançados no Brasil. Neste ano ele grava um disco bastante intismista e moderno. Bases simples, piano cristalino, arranjos precisos e um grande time de musicos.
“Percepão” o ultimo disco de Eumir inteiramente produzido no Brasil, depois seria apenas nos Estados Unidos, é uma peça bem elaborada e super bem tocada do Brazilian Jazz perdida numa praia do Rio de Janeiro, num beco, num bar com poucos clientes, na noite findando e o dia nascendo, ano: 1972.

Bebe (Hermeto Paschoal)


Serendipity (Eumir Deodato)


Barcarole (Eumir Deodato)

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