16/06/2009

Saudosas Bolachas (16/1971)

O Tradicional Dançando com o Moderno

Em 1971 várias cantoras apresentaram trabalhos onde tentavam ser modernas mesmo que não fossem. Atendiam a uma tendência do mercado ou estavam em transição.


EVINHA
“CARTÃO POSTAL”(1971)

Evinha (1951) cantora carioca que fez parte de uma familia totalmente musical. Seus irmãos Ronaldo, Roberto e Renato eram integrantes do Golden Boys e suas irmãs Maria, Regina e Marizinha do Trio Esperança, o qual ela integrou de 1961 a 1968.
Seu primeiro sucesso na carreira solo foi cantando “Cantiga por Luciana”(Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) com a qual se sagrou campeã do 4. Festival Internacional da Canção.
Em 71’ ela grava o seu terceiro disco solo. Nele ela traz o seu estilo moderno e pastoso da Jovem Guarda misturando com a musicalidade contemporânea de grupos emergentes da MPB como Marcos Valles, Beto Guedes, Geraldo Carneiro, Taiguara e Guarabyra.
Mas o que vale mesmo neste disco, além deste gosto de transição; é a voz marcante e afinada de Evinha.

Escute “Feira Moderna” (Beto Guedes/Fernando Brant) com Evinha

mpb - Feira Moderna


ELIS REGINA
“ELA” (1971)

Em 1971, a cantora gaucha, Elis Regina seguia sua transição em busca de uma contemporaneidade perdida na virada da década passada. Ela usa a receita do disco anterior; gravando autores modernos (Caetano Veloso, Ivan Lins, Marcos Valle, Erasmo e Roberto Carlos); com arranjos jazzisticos e sua voz monumental ela seguiu em frente, depurando-se.

Escute “Black is Beautiful” (Marcos Valle/Paulo Sergio Valle) canta Elis Regina

Elis Regina - Black is Beautiful


SILVINHA
“SILVINHA”(1971)

Silvinha (1951-2008) foi cantora paulista que surgiu nos anos 60’ cantando no programa de calouros do Chacrinha e que se tornou uma das grandes interpretes da Jovem Guarda. Com o cantor Eduardo Araujo, com o qual casaria e teria dois filhos, apresentava o programa de TV “O Bom.
Em 1971 com o fim da Jovem Guarda, a cantora buscava um novo nicho para sua voz rouca e rascante.
Neste disco ele traz a sonoridade da Jovem Guarda adensada pelo uso potente das guitarras.
É uma Jovem Guarda sem conseções, um escapismo Tropicalista.

Escute “Paraiba”(dominio publico) com Silvinha

Silvinha - Paraiba


MARIA CREUZA

“YO ... MARIA CREUZA” (1971)


Maria Creuza é a cantora bahiana que encantou o poeta Vinicius de Moraes e o Brasil com sua voz doce e cristalina em 1969. Em 1970 ela excursiona com o poeta e Toquinho pela Argentina e Uruguai onde gravam o disco “Vinicius En La fusa com Maria Creuza e Toquinho”. Em 1971 ela grava um disco solo dedicado ao mercado latino com o titulo “Yo Soy Maria Creuza”, que traz classicos “Mas que Nada” (Jorge Ben), “Dindi (Tom Jobim) e “Chove Lá Fora”(Tito Madi).

O disco tem arranjos primorosos e a voz de Maria Creuza conduz o ouvinte ao tom maior da canções que ela canta.

Escute “Estrada do Sol”(Dolores Duran/Tom Jobim) com Maria Creuza

Maria Creuza - Estrada do Sol


CLAUDETTE SOARES

“POR TANTO AMOR”(1971)


Claudette Soares (1937) nasceu no Rio de Janeiro e desde criança cantava em programas de rádio onde sua voz impressionava e ganhava reconhecido sucesso.

Nos anos 50’ trabalhou com Luiz Gonzaga e Silvinha Telles. Cantou com várias bandas de Jazz Samba. Claudette sempre foi uma cantora de personalidade própria. Ela não fazia parte de nenhum movimento musical, mas cantava Bossa Nova e Baiões nos anos 60, e nos 60 dedicou um disco a Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque.

Esta independência talvez lhe trouxe problemas quanto a identificação publica, mas lhe garantiu um repertório interessantissimo e que com sua voz ganhou nuancias poucas vezes vista.

Em 1971, com 30 e poucos, ela gravou um album lindo. Com sua voz calma, tranquila e intimista; ela desfiou canções de diferente gerações como: Roberto Carlos, Tom Jobim, Menescal e Ivan Lins.

Escute “Não Quero Te Ver Tão Triste Assim”(Roberto e Erasmo Carlos) canta Claudette Soares

Claudette Soares - Eu Nao Quero Voce Triste Assim


CLAUDIA

"VOCE”(1971)


Claudia (1948) cantora carioca, surgiu nos anos 60’ cantando no Fino da Bossa. De lá excursionou com muito sucesso pelo Japão cantando Jazz Samba. Naquela epoca havia quem a comparasse a Elis Regina pelo rompante de sua voz. Ao voltar para o Brasil, ela ganhou o prêmio de melhor intérprete do Festival Internacional da Canção de 1969.

Em 1971 ela lança o seu segundo album: “Voce”; onde mistura referências tradicionais e modernas num mesmo canto.

Escute “ Com Mais de 30” (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle ) com Claudia.

Claudia - Com Mais de Trinta


RENATA LU
“RENATA LU” (1971
)


Este foi o primeiro album da cantora Renata Lu, que venceu o II Encontro Nacional do Compositor de Samba e foi lançada como uma cantora na linha de Clara de Nunes.
Neste disco ela canta alguns sambas e boleros, mesclando tendencias conflitantes mas que com sua voz cristalina e afinada não soa assim.
Ele teve uma carreira curta e não há informações biográficas sobre a cantora. Pela capa de seu primeiro disco, nota-se que era jovem e o disco nos revela um talento interessante naquele ano.

Escute “Folhas de Outono” (Márcio Alexandre / Hélio Matheus) canta Renata Lu.

mpb - Renata Lu

2 comentários:

Anônimo disse...

Querido Paul

Perdoe-me a ignorancia, mas nao me lembro dessa cantora Renata Lu.

Acho que nunca ouvi falar dela, pois sendo minha charah, acho que me lembraria.

Parabens pelo seu lindo trabalho.
abracao

R.

Enika disse...

ola querida.sou sua chará nasci em 1977 e até hoje não te conhecia só perguntava pra minha mãe de onde veio esse nome diferente,ela falou que era de uma linda cantora,com uma linda vóz..parabéns vc é linda!!beijos renata lú´*28 de junho,teresópolis rio de janeiro.